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Análise Qualitativa

A análise fundamental tem um alcance muito amplo. Avaliar uma empresa envolve não só analisar números e prever os fluxos monetários mas também observar as qualidades mais gerais e subjetivas de uma empresa. Em seguida veremos como a análise de fatores qualitativos é utilizada na seleção de ações.

Gestão

O pilar de qualquer empresa de sucesso é uma forte gestão. Quem está no top toma as decisões estratégicas e são por isso um fator crucial para o destino da empresa. Para avaliar a força da gestão, os investidores podem simplesmente perguntar: quem, onde, o quê, quando e porquê?

Quem?

Faça alguma pesquisa e descubra quem está a gerir a empresa. Entre outros, você deve saber quem são o Diretor Executivo, o Diretor Financeiro, o Diretor de Operações e o Diretor de Informação. E depois pode avançar para a questão seguinte.

Onde?

Você precisa de descobrir de onde vêm estas pessoas, especialmente a sua educação e experiência profissional. Pergunte a si mesmo se a experiência que têm os torna adequados para dirigir a empresa na sua industria. Uma equipa de gestão que consista em pessoas que vêm de indústrias totalmente diferentes deve ser questionável. Se o Diretor Executivo de uma empresa mineira recém formada tiver trabalhado na indústria, questione-se se ele ou ela terá as qualidades necessárias para liderar uma empresa mineira atá ao sucesso.

O quê e quando?

Qual é a filosofia dos gestores? Por outras palavras, de que modo é que estas pessoas pretendem gerir a empresa? Alguns gestores são mais pessoais, promovendo uma forma aberta, transparente e flexível de gerir o negócio. Outras filosofias de gestão são mais rígidas e menos adaptáveis, valorizando a politica e lógica adquirida acima de tudo no processo de tomada de decisão. Você pode discernir o estilo de gestão, olhando para as suas ações passadas ou lendo o relatório anual da administração, secção discussão e análise. Pergunte a si mesmo se concorda com essa filosofia, e se resulta para a empresa, tendo em conta o seu tamanho e a natureza do seu negócio..

Assim que souber o estilo dos gestores, descubra quando esta equipa começou a gerir a empresa. O Jack Welch, por exemplo , foi diretor executivo da General Electric por mais de 20 anos. Seu longo mandato é uma boa indicação de que era um gestor bem sucedido e rentável; de outra forma, os acionistas e quadro de direção não o teriam mantido por tanto tempo. Se uma empresa estiver com um fraco desempenho, um dos primeiros passos a dar é restruturar a gestão, o que é uma forma simpática de dizer “uma mudança na gestão devido aos fracos resultados”. Se houver uma empresa que está continuamente a mudar de gestores, é sinal de que deve investir noutro lugar.

Por outro lado, apesar da reestruturação advir muitas vezes da fraca gestão, não quer dizer que a empresa esteja condenada. Por exemplo, a Chrysler Corp esteve à beira da bancarrota quando Lee Iacocca, o novo Diretor Executivo, chegou e formou uma nova equipa de gestores que renovou o estatuto da Chrysler como importante player na indústria automóvel. Portanto, uma reestruturação na gestão pode ser um sinal positivo, mostrando que uma empresa em dificuldades está a fazer um esforço para melhorar os seus resultados e que está prestes a ver melhorias.

Porquê?

Um aspeto final a investigar é porque é que estas pessoas se tornaram gestoras. Verifique a história profissional dos gestores, e tente perceber se os motivos são claros. Terá esta pessoa as qualidades que acha que são necessárias para a tornarem uma boa gestora desta empresa? Esta pessoa foi contratada por causa de sucessos e conquistas passados ou terá adquirido a posição por meios questionáveis, como autonomeação após herdar empresa?

Saiba o Que a Empresa Faz e Como Faz Dinheiro

Um segundo fator importante a considerar quando analisa os fatores qualitativos de uma empresa é o(s) seu(s) produto(s) ou serviço(s). Como é que esta empresa faz dinheiro? Num discurso fino de mestrado, a questão seria “Qual é o modelo de negócio da empresa?”

Saber como as atividades de uma empresa serão lucrativas é fundamental para determinar se vale a pena o investimento. Muitas vezes as pessoas gabam-se sobre o quão lucrativas elas pensam que serão as suas novas ações, mas quando lhes perguntam o que a empresa faz, parece que as suas visões de futuro são um pouco desfocadas: “ bem, eles têm esta gigajoga de alta tecnologia que faz qualquer coisa com cabos de fibras óticas…” se não tem a certeza de como a empresa fará dinheiro, então também não poderá ter a certeza que as suas ações lhe darão retorno.

Uma das maiores lições dadas pelo crescimento do online dos finais dos anos 90 é que não compreender um modelo de negócio pode ter graves consequências. Muitas pessoas não faziam ideia como as empresas online estavam a fazer dinheiro, ou porque estavam com valores tão altos na bolsa Na verdade, estas empresas não estavam a fazer dinheiro nenhum; mas o seu potencial de crescimento era encarado como enorme. Isso levou a uma compra com excesso de zelo com base numa mentalidade de rebanho, que por sua vez levou a um crash do mercado. Mas nem toda a gente perdeu dinheiro quando a bolha rebentou: Warren Buffett não investiu na alta tecnologia no início porque não a compreendia. Embora tenha sido ostracizado por isto durante a bolha, poupou-lhe biliões de dólares na queda das empresas online que se seguiu. Você precisa de uma sólida compreensão de como uma empresa gera lucro de modo a avaliar se os gestores estão a tomar as decisões corretas.

Indústria/Concorrência

Além de precisar de ter uma compreensão geral sobre o que a empresa faz, deverá também analisar as características da indústria em que está inserida, tal como o seu potencial de crescimento. Uma empresa medíocre numa grande indústria pode proporcionar um retorno sólido, enquanto que uma empresa medíocre numa indústria fraca provavelmente irá arrancar um bocado do seu portefólio. Claro que, discernir um estágio de crescimento de uma empresa irá exigir aproximação, mas o senso comum poderá também ajudar: não é difícil perceber que os prospetos de crescimento de uma indústria de alta tecnologia são mais favoráveis que os de uma empresa de carris de comboios. É uma questão de perguntar a si próprio se a procura pela indústria está a aumentar.

A quota de mercado é outro fator importante. Veja como a Microsoft domina amplamente o mercado de sistemas operativos. Qualquer outro que tente entrar neste mercado encara grandes obstáculos porque a Microsoft pode se aproveitar de economias de escala. Isto não significa que uma empresa que esteja perto de uma situação de monopólio permaneça garantidamente no topo, mas investir numa empresa que tenta derrubar “o gorila de 300 Quilos” é sem dúvida arriscado.

As barreiras à entrada num mercado podem também oferecer vantagens qualitativas a uma empresa. Compare, por exemplo, a indústria de restauração coma automóvel ou a farmacêutica. Qualquer pessoa pode abrir um restaurante pois o nível de habilitações e o capital necessários são muito baixos. As indústrias automóvel e farmacêutica, por outro lado, têm enormes barreiras à entrada: grandes gastos de capital, canais de distribuição exclusivos, regulamentação governamental, patentes, e por aí fora. Quanto mais difícil para a concorrência entrar numa indústria, maior a vantagens para as firmas existentes.

Nome de Marca

Uma marca valiosa reflete anos de desenvolvimento de produto e marketing. Veja por exemplo um dos mais famosos nomes do mundo: a Coca Cola. Muitos estimam que o valor intangível do nome de marca da Coca Cola ronde os biliões de dólares. Grandes corporações como a Procter & Gamble contam com centenas de nomes de marcas populares como Tide, Pampers e Head & Shoulders. Ter um portefólio de marcas diversifica os riscos pois a boa performance uma marca pode compensar as que têm um fraco desempenho.

Não se esqueça que alguns mais esquisitos na escolha de ações se mantêm longe de qualquer empresa que tenha a sua marca à volta de um só indivíduo. E assim o fazem porque, se uma empresa estiver muito presa a uma pessoa, qualquer má notícia em relação a esta pessoa pode prejudicar o desempenho das ações da empresa mesmo que a notícia não tenha nada a ver com as operações da empresa. Um ótimo exemplo disto são os problemas encarados pela Martha Stewart Omnimedia como resultado dos problemas legais da Martha Stewart em 2004.

Não Complique Demais

Você não precisa de um Doutoramento em finanças para reconhecer uma boa empresa. Peter Lynch, no seu livro “One Up on Wall Street”, refere uma vez quando a sua mulher o chamou a atenção para um produto ótimo com marketing fenomenal. A Hanes estava a fazer um teste de comercialização de um produto chamado L’eggs: collants de mulher embrulhados dentro de um ovo de plástico colorido. Em vez de os vender em departamentos ou lojas especializadas, a Hanes colocou o produto ao lado dos doces, refrigerantes e pastilhas elásticas junto às caixas dos supermercados. Uma ideia brilhante, uma vez que pesquisas mostraram que as mulheres frequentam cerca de 12 vezes mais o supermercado do que as tradicionais lojas de especializadas em collants. O produto foi um enorme sucesso e tornou-se no segundo produto mais consumido dos anos 70.

A maioria das mulheres na altura teria facilmente identificado a popularidade deste produto, e a mulher de Lynch era uma delas. Graças ao seu conselho, ele pesquisou um pouco mais sobre a empresa e transformou o seu investimento na Hanes em ganhos sólidos para a Fidelity, enquanto que a maioria dos gestores masculinos de Wall Street nem deram pela oportunidade. A moral da história é que não são só os analistas de Wall Street que estão a par da informação acerca de empresas; as pessoas comuns também conseguem ver essas oportunidades. Se você observar uma empresa local em expansão e a vingar, pesquise um pouco mais, pergunte por aí. Quem sane, poderá ser a próxima Hanes.

Conclusão

Avaliar uma empresa do ponto de vista qualitativo e determinar se deve investir nessa empresa é tão importante como pesquisar sobre as vendas e ganhos. Esta estratégia pode ser uma das mais simples, mas é também uma das formas mais eficazes de avaliar um potencial investimento.